Acho que não deve existir uma única pessoa que nunca fez uma compra e se arrependeu depois. Acabou comprando no impulso, depois viu que não gostou tanto assim do item, ou pagou caro demais, ou mesmo não terá utilidade alguma e ficará encostado em algum canto.

Via de regra isso acontece uma ou algumas vezes durante a nossa vida, e não chega a ser necessariamente um problema. Mas para algumas pessoas, esse impulso em comprar pode ser uma constância, interferindo significativamente na sua vida social, familiar e financeira. São os compradores compulsivos. Pessoas que apesar das evidências reais, concretas de que não podem comprar porque não tem dinheiro para pagar, ou não precisam porque tem tantos outros itens iguais ou similares, ainda assim não resistem ao impulso e compram.

É uma triste realidade, só nos EUA são aproximadamente 18 milhões de compradores compulsivos, no Brasil não temos estatísticas, mas sabe-se que o problema também existe por aqui se considerarmos alguns dados da nossa economia veremos que em 2012 o Banco Central divulgou que 60,9 milhões de brasileiros tinha divida ativa em instituições financeiras e que o número tendia a crescer pois os mesmos clientes deveriam tomar novos empréstimos.

O ano passado terminou com um saldo de devedores de 2,3% maior que em 2012. O grande vilão era o cartão de crédito.

Ainda na esfera financeira, uma pesquisa publicada pelo Social Science and Medicine (Agosto-2013) diz que jovens adultos com dívidas muito altas podem apresentar mais problemas de pressão alta, piora de sua percepção pessoal e declínio da saúde mental, quando comparados outros jovens sem problemas financeiros expressivos. A mesma pesquisa também indicou que quanto mais alta a soma da dívida, maior era o estresse associado, o que agravava ainda mais os dados encontrados acima.

É importante pensarmos sobre quais sentimentos estão envolvidos no ato de adquirir coisas. Uma publicação do Journal Consumer Research acompanhou consumidores por 6 anos e os subdividiu em 3 categorais: comprar por prazer; comprar para melhorar o status social e comprar para uma compensação emocional. O resultado da pesquisa? As duas últimas categorias aumentavam a solidão e reforçavam o não pertencimento social dos consumidores.

Os sentimentos envolvidos neste problema vão desde ansiedade e euforia nos momentos que antecedem a compra, satisfação e alegria durante a compra, e as vezes culpa e tristeza pós compra. Sem falar em irritabilidade e tristeza caso não seja possível efetuar a compra por algum motivo.

Procure sempre que possível estar atento ao seu padrão de consumo, tente ter um planejamento financeiro para adquirir aquilo que precisa ou quer muito ter. Caso perceba descontrole e emoções desagradáveis quando o assunto é comprar, talvez seja interessante procurar ajuda profissional. Desenvolver hábitos de consumo compulsivo e adquirir problemas financeiros são fatores que fatalmente o levará a uma piora significativa na sua qualidade de vida. Em tempos difíceis como os de hoje, você não quer ter mais esse problema, quer?

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