Ansiedade pode ser considerada a principal doença psiquiátrica no mundo, quando pensamos em termos de prevalência.

Todos passamos por momentos de maior angústia ou preocupação com o futuro, invariavelmente, em algum ponto de nossas vidas. Geralmente, isso ocorre em períodos de maior estresse, com um desencadeador claro. Entretanto, ansiedade e medo são sintomas prevalentes e atuam de forma positiva em diversas situações (auxiliam no planejamento de atividades, prevenção de problemas, adaptação frente a adversidades e desenvolvimento pessoal).

Situações passageiras que geram desconforto e preocupação (tão comuns e importantes) não são caracterizadas como doença. O problema se torna patológico a partir do momento em que um ponto excedente é ultrapassado, gerando impacto significativo na vida da pessoa, como perda de funcionalidade ou sofrimento importante.

Como a doença se desenvolve

Até o momento a nossa compreensão frente essa doença tão complexa é pequena.

Sabemos que algumas estruturas do cérebro responsáveis pela emoção (amígdala e ínsula, que fazem parte do sistema límbico) estão hiperativadas nesses quadros. Enquanto que estruturas que atuam no controle de impulsos (córtex pré frontal medial) apresentam uma perda de conectividade e função, permitindo o florescimento de sintomas.

A combinação das alterações descritas acima produz quadros de medo generalizado, que é uma das características centrais dos transtornos ansiosos. Fazem com que experiências negativas se multipliquem e criem um padrão disfuncional.

Sintomas

O início dos sintomas de ansiedade costuma ocorrer na infância e adolescência, em boa parte dos casos, associado com questões individuais como disposição neurótica, traumas e ambiente no qual a pessoa está inserida. Quando os sintomas se manifestam nessa faixa etária, o risco de desenvolvimento de um transtorno mental futuro é maior.

Medo excessivo, ansiedade, interpretação de ameaças onde racionalmente isso não existe (como situações sociais e locais desconhecidos), sensações físicas (taquicardia, sudorese, falta de ar, tontura, tremores…), são sintomas característicos do transtorno ansioso.

A resposta ao estímulo é desproporcional ao risco ou perigo real.

Medos durante a infância e adolescência

É esperado que o sofrimento varie de acordo com a situação que estamos enfrentando. Para facilitar a compreensão, vamos dividir alguns períodos e fases correspondentes. Segue abaixo alguns exemplos de desencadeadores de ansiedade de acordo com a faixa etária.

  • Infância (0 a 3 anos)
    Medo de estranhos e de separação.
  • Pré escolar (3 a 6 anos)
    Medo de morrer ou que pessoas próximas morram.
    Raios, trovões, fogo, água, escuro, pesadelos, animais e criaturas imaginárias.
  • Escolar (6 aos 12 anos)
    Ansiedade relacionada a escola e desempenho.
    Medo de machucar-se ou morrer (pessoal ou em pessoas próximas).
    Germes, adoecer, desastres naturais, eventos traumáticos.
    Avaliação negativa.
  • Adolescência
    Avaliação negativa e rejeição de pares.

Diagnóstico

Episódios de medo ou ansiedade podem surgir no decorrer da vida, geralmente associados a períodos de estresse. Diferentemente do medo, que é uma resposta a uma ameaça iminente, a ansiedade é uma antecipação de futuras ameaças interpretadas. Como dito anteriormente, ansiedade tem um imenso valor positivo, quando não gera estresse contínuo e permite mudanças e crescimento.

Para ser realizado um diagnóstico de transtorno mental, o medo e ansiedade devem ser excessivos ou desproporcionais a ameaça em questão. Os sintomas devem se apresentar de maneira persistente, associados a impacto social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida.

Os principais transtornos ansiosos

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
    Ansiedade e preocupação desproporcionais acerca de diversos eventos ou atividades.
  • Transtorno de Pânico
    Ataques de pânico inesperados e recorrentes.
  • Fobia Social
    Medo ou ansiedade intensos de situações sociais nas quais pode ser avaliado negativamente por outros.
  • Fobia Específica
    Medo ou ansiedade acentuados frente um objeto ou situação específica (que são evitados ou suportados com muito sofrimento).
  • Transtorno de Ansiedade de Separação
    Medo ou ansiedade excessivos envolvendo a separação de figuras de apego (familiares, objetos, casa…)
  • Mutismo Seletivo
    Fracasso persistente para falar em situações sociais específicas, manifesta-se com maior frequência em crianças menores
  • Agorafobia
    Medo ou ansiedade exacerbados desencadeados pela exposição real ou prevista a diversas situações (transporte público, espaços abertos, locais fechados, multidão…)
  • Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância
    Ataques de pânico ou ansiedade proeminentes que ocorrem em vigência de intoxicação ou abstinência de determinada substância (substância em questão deve ser capaz de produzir os sintomas).
  • Transtorno de Ansiedade Devido a Condição Médica
    Ataques de pânico ou ansiedade como consequência direta de uma condição médica.

Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e Transtorno do Estresse Pós Traumático (TEPT), foram retirados da classificação como transtornos ansiosos no último manual diagnóstico internacional (DSM-5, 2013) e ganharam uma classificação a parte na literatura científica.

Fatores de risco

Os fatores abaixo conferem um risco maior para o desenvolvimento de qualquer transtorno mental, entre eles, os transtornos ansiosos.

  • maus tratos durante a infância (negligência, abuso…)
  • punições físicas
  • histórico familiar de doença mental
  • baixo nível socioeconômico
  • pais superprotetores ou muito severos

Herdabilidade genética varia em torno de 30-50% para a maioria dos quadros de ansiedade. As mulheres são mais acometidas do que os homens.

Comorbidades

A prevalência de doenças concomitantes é alta. Geralmente transtornos ansiosos se somam a quadros depressivos ou outros quadros de ansiedade. Uso de substâncias (principalmente o álcool), também ocorrem de forma mais acentuada que na população geral.

Tratamento

Pacientes com transtornos ansiosos respondem bem a medicações e psicoterapia. Principalmente a combinação dessas 2 estratégias.

Infelizmente apenas uma pequena parcela da população busca atendimento para essas doenças. Aqueles que não recebem tratamento individualizado sofrem com sintomas e prejuízos mais intensos.

Rastreio de sintomas

Durante as 2 últimas semanas, com que frequência e intensidade você tem sido incomodado pelos problemas abaixo?

  • Sentir-se nervoso, ansioso, com medo, preocupado ou no limite.
  • Sentir pânico ou apavorado.
  • Evitado situações que te deixam ansioso.

Consulte sempre um psiquiatra ou psicólogo para uma avaliação mais detalhada.

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