Todos sofremos em alguma medida uma pressão, seja social, familiar ou interna mesmo, para sermos magros. Eu tive um bebê há 5 meses e meu desejo secreto era ser como aquelas atrizes que um mês depois já estão com um corpo de dar inveja a qualquer garota de vinte e poucos anos. Só em sonho mesmo. Quase todo mundo que eu conheço tem o desejo de perder uns quilos e se puder nunca mais encontrá-los de volta melhor ainda.

Mas o que acontece com a maioria das pessoas que se submetem as dietas da moda – low carb, paleo, do limão, da sopa, do chá, etc, são tantas que prometem resultados rápidos e com algum sacrifício suportável – por um tempo – que as pessoas acabam caindo nessas armadilhas: quilos que vão rápido demais tendem a voltar na mesma velocidade que se foram, e pior, acompanhados de mais quilos ainda, afinal você não vai fazer a tal dieta para todo o sempre.

O fator Psicológico

O fato é que quando estamos insatisfeitos conosco temos mais dificuldade de perder peso e maior probabilidade de fazermos escolhas alimentares ruins. Quando se come exageradamente, na linguagem clínica compulsão, é mais provável que você esteja cedendo a sua fome emocional do que a fome real (necessidade fisiológica que geralmente aparece algumas horas após a última refeição). É da nossa natureza estabelecemos uma relação de prazer com a comida, o que a princípio não há nenhum problema, como quando você quer sair para jantar para comemorar algo ou quando se presenteia com um doce após alguma conquista. O problema passa a existir quando essa compensação fica frequente e você deposita na alimentação um tipo de recompensa diária para lidar com alegrias ou frustrações. Uma relação mal resolvida com a comida é um poderoso obstáculo a perda de peso.

Estados Emocionais influenciam na alimentação

Humor deprimido, estresse e ansiedade são os principais gatilhos para fome emocional. Quando estamos estressados, por exemplo, nosso corpo produz altos níveis do hormônio cortisol, responsável por dar uma resposta física aos problemas: ele aumenta a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue, o que dá energia aos nossos músculos para uma situação de fuga. Uma vez que a pessoa submetida a situações de estresse frequentes não baixa o nível desse hormônio ela vive em estado constante de alerta e o açúcar acumulado no sangue acaba virando gordura, acumulando-se principalmente na região abdominal. Outro efeito negativo do estresse no corpo é a diminuição dos níveis de serotonina (um dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem estar), o que também pode levar a busca da compensação através da comida (já que a mesma já foi relacionada ao prazer).

Então, estados emocionais influenciam diretamente no seu hábito alimentar. Ansiedade, humor deprimido e estresse têm uma influência negativa porque aumenta a compulsão por alimentos prazerosos que elevam os níveis de dopamina e serotonina, que geram prazer e acalmam as pessoas.

DIETA – esqueça essa palavra

Dietas geralmente envolvem restrições alimentares, embutem em seu significado um calvário de sofrimento e privações. Pessoas que lutam por muitos anos com a balança já tem o cérebro condicionado para associar a palavra Dieta a frustrações. Portanto o ideal é considerar uma reeducação alimentar, como algo duradouro e funcional e não uma dieta para aquele momento específico da vida. Reprograme seu cérebro, afinal ninguém quer ser magro só por uma fase da vida.

Outro problema das Dietas é que, quando retiramos nossas comidas favoritas do cardápio – exigência da maioria delas – desenvolvemos um desejo ainda mais profundo por elas e comemos uma quantidade muito maior quando temos chance. Muitas pesquisas já comprovaram que eliminar totalmente determinados tipos de comida tende a provocar o efeito contrário desejado. O caminho é a moderação: ser mais flexível consigo mesmo pode ajudar a evitar armadilhas do desejo e da ingestão excessiva de alimentos “proibidos”.

Corrigindo Pensamentos Automáticos

Outro ponto importante são os pensamentos sabotadores. Pensamentos automáticos, aqueles que não avaliamos e simplesmente reagimos a eles, são grandes sabotadores da reeducação alimentar. Geralmente aparecem na forma de “ah, vou dar uma escapada só hoje” ou “acho que não tem problema comer só mais um pedaço de bolo”. O problema é que a maioria das pessoas sentem uma sensação de fracasso ao comer algo que poderia ter evitado (pois na verdade estava saciando a fome emocional, não a real) e há uma tendência a abandonar o plano de emagrecimento depois da escapada ao invés da compensação nas refeições futuras. É importante ter clareza e consciência ao optar pelo excesso, assim ou você fará a escolha de não comer a fatia a mais ou que irá compensar na próxima refeição. Isso tem que ser muito consciente para não ser sabotador.

Considerações finais…

Com isso torna-se cada vez mais nítida a importância de encarar a alimentação de forma diferente. Não podemos negar os fatores psicológicos envolvidos nos processos de perda de peso. Comida não deve ser encarada como forma de prazer imediato, pois estamos vivenciando um mundo cheio dos efeitos colaterais da má alimentação: doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, obesidade e outras tantas doenças sérias.

O caminho para a reeducação e uma vida mais plena e saudável é a procura dos profissionais da nutrição para ajudá-lo com um cardápio adequado às suas necessidades, de educação física para auxiliá-lo num plano de exercícios (tão importante quanto o nutricionista). E além desses dois pré-requisitos é igualmente importante mudar padrões de pensamentos equivocados – o que para alguns vai exigir acompanhamento psicológico. Porque no fim das contas não basta estar magro: é preciso também pensar magro.

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