Nossa vida é pautada sempre, sem exceção, nos nossos relacionamentos. É nas relações que desenvolvemos as nossas melhores habilidades de adaptação ao meio: comunicação, reciprocidade, tolerância, escuta, empatia, etc. Delas também surgem as maiores dores e feridas na alma e no coração. E só através delas que também encontramos a cura.

Uma antiga paciente sempre me dizia no início da terapia que se relacionava melhor com bichos do que com pessoas, e essa foi a forma mais sadia que ela encontrou de curar algumas feridas oriundas de um relacionamento familiar desastroso: foi morar sozinha e adotou um cachorro. E a partir desse relacionamento foi capaz de cura-se e estar pronta para construir a sua própria família. Portanto, todos os nossos relacionamentos são significativos, sejam com pessoas, lugares, situações ou animais de estimação. Ao considerarmos então as nossas relações como a base para uma vida mais plena e equilibrada devemos dar então aos relacionamentos familiares o crédito pelo êxito ou fracasso dos relacionamentos que estabelecemos nos âmbitos social, afetivo e profissional.

O ser humano é um ser biopsicosocial, ou seja, somos ao mesmo tempo parte do que herdamos, parte de uma personalidade única e fruto da nossa interação com o meio. Logo, não estamos aqui dizendo que se você cresceu numa família com relações disfuncionais está fadado a ser um fracassado nos seus relacionamentos, porém, muito do que “herdamos” da nossa família – e muitas vezes nem nos damos conta do quanto repetimos alguns padrões interacionais – influencia negativamente no nosso dia a dia.

Além do mais, o fator psicológico da nossa composição é muito significativo, pense o quanto você pode ser diferente dos seus irmãos, mesmo crescendo no seio da mesma família, com as mesmas regras e os mesmos valores.

Os conflitos são inevitáveis, mas boa parte deles podem ser solucinados com diálogo e respeito mútuo. Muitas vezes é mais fácil “estourarmos” com entes queridos do que com chefes, colegas de trabalho ou parceiros em geral, pois os entes queridos geralmente nos amam e poderão nos entender e perdoar mais facilmente.

Perceber esse tipo de comportamento e outros disfuncionais e tentar corrigir através do diálogo pode ser uma excelente alternativa na solução dos conflitos. A forma de se comunicar tem um impacto muito grande na saúde mental da família. Podem gerar comportamentos de esquiva, afastamentos, mágoas profundas e rompimentos. Se o prazer de estar juntos for substituído por conflitos aparentemente sem solução a família certamente sofrerá e os membros estarão infelizes.

Estar em paz com a família, buscar uma convivência harmoniosa, respeitosa e amorosa contribui muito para o fortalecimento da autoestima, de crenças funcionais acerca de si mesmo e dos outros e a com a disponibilidade interna para relacionar-se com outras pessoas.
Vale a pena refletirmos sobre como estão nossas relações tanto com nossa família de origem quanto a constituída, pois o impacto na nossa vida de modo geral é grande e certamente queremos que esse impacto seja positivo.